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sábado, 19 de junho de 2010

Geocaching @ Terceira

Neste sábado aproveitei o facto de o Pedro e a Clara terem carro para ir com eles conhecer um pouco da Terceira, aproveitando para efectuar as primeiras caches na ilha onde terei a base de operações durante 1 ano. A Carla Rego também se juntou à festa.
O dia começou cedo, pelas 9 horas, debaixo do nevoeiro matinal típico desta região de Portugal. Decidimos começar pelo Pico Alto. A caminhada começa numa zona florestal de Cryptomeria, para não variar (e muitas "conteiras" para chatear), mas rapidamente começamos a subir e por cada passo em direcção ao pico começamos a ver mais floresta laurissilva a aparecer. A névoa estava cada vez mais intensa à medida que chegamos ao topo pelo que vistas, foi mentira. Aproveitámos para tentar loggar a cache, que foi rapidamente encontrada. Depois da descida, altura para pausa para almoçar na zona florestal. Ah, uma coisa curiosa: junto a um início de trilho que se encontrava perto estava uma placa dos florestais que avisava as pessoas que o animal mais comum na zona é o Butio! Vimos muitos, juntamente com unicórnios e linces-ibéricos!
Anyway, de volta à ração de combate, nada como um pão com chouriço, uma peça de fruta e um chocolate, para estar pronto para mais uma subida. Desta feita, o alvo seria o Pico Gaspar, uma pequena caldeira no centro da ilha, que nos proporciona uma curtinha mas íngreme subida. Novamente, achámos a cache e ficámos um pouco a apreciar a caldeira, que se apresenta com bocadinhos de turfeira nalguns pontos e algumas Euphorbia stygiana (uma espécie endémica rara) nas zonas mais íngremes. Um ponto a revisitar mais tarde, quando houver mais capacidade fotográfica.
Depois do Pico Gaspar, ainda tentámos chegar ao ponto mais alto da Terceira, na Serra de Santa Bárbara, e até conseguimos, mas estava uma névoa tal que não se vía nada 5 metros à frente pelo que voltámos para trás. Para encher o tempo, fomos à Serreta visitar um miradouro e percorrer um pouco de um percurso pedestre que se encontrava perto, em direcção ao mar. Infelizmente, muito do percurso estava infestado de incenso.
No final da tarde, tínhamos ali um dia bem passado e agora era descansar para ir novamente até São Miguel amanhã.

domingo, 30 de maio de 2010

Geocaching @ Alqueidão da Serra

A última sessão de goecaching antes de ir para os Açores durante 1 ano levou-nos (eu, Sandra, Rita Laranjeiro e o David Martins) até ao Alqueidão da Serra, terra onde já experimentámos antes o mato a propósito de geocaching. Quisemos repetir a experiência, até porque uma das caches planeadas era uma múltipla que nos fugia desde os nossos primórdios como geocachers.

Foi no ponto inicial d'O Barbudo das Cavernas que a tarde se começou a avizinhar risonha, já que, ao contrário das primeiras vezes, conseguimos dar com a micro inicial (com alguma facilidade, até). Rapidamente concluímos que a nossa experiência adquirida nos últimos meses (foi há coisa de 1 ano atrás que tentámos pela 1ª vez esta cache) nos deu outros pontos de vista sobre a situação-problema que tínhamos à nossa frente. O 2º ponto não revelou dificuldades também e para acabar, no último ponto cortámos algum mato e saltitámos por cima de umas formações de calcário típicas da Serra de Aire e Candeeiros, até ao local final.

Antes de passarmos à frente e falarmos da segunda cache que fizemos, oportunidade para (ainda no 2º ponto do Barbudo) um momento aracnológico. Lembrei-me de procurar uma Allocosa fasciiventris para mostrar ao David e à Rita, até porque certamente nova oportunidade não surgirá tão cedo, e foram precisos apenas uns 5 minutos de prospecção no terreno para encontrar uma bela toca. Não foi das mais difíceis de chamar cá para fora, apesar dos 5 ou 10 minutos de paciência "à pesca". Poderia ser uma fêmea adulta, ou subadulta. Na verdade, não me dei ao trabalho de verificar já que era um espécime de tamanho considerável, apesar de já ter encontrado aqui na serra d' Aire e Candeeiros espécimes maiores. Inicialmente, mostrei como se devia manusear o animal e indiquei o que não se devia fazer e depois convidei os presentes a experimentarem meterem um animal tão incompreendido e temido na mão. Devo dizer que esta tarântula foi das mais pacatas que já manuseei, só tendo fugido uma vez das nossas mãos e quando a tentávamos devolver à sua toca não queria abandonar as nossas mãos. :)

Depois do momento aracnológico e da cache concluída, como ainda era cedo, ainda fomos fazer mais uma cache no Alqueidão de dificuldade de terreno 4, que prometia umas esfoladelas e arranhões. E lá fomos. A início algo relutantes, devido à indecisão acerca do ponto inicial, mas era mesmo aquilo e lá descemos uma ribanceira e atravessámos uma galeria de mato num pequeno vale. O tesouro estava escondido numa pequena lapa num flanco rochoso de um monte, e depois de alguma adrenalina camminhando sobre um pequeno precipício (que seria suficiente para que caindo mal se partisse algum membro), lá foi encontrada a cache pelo David.
Depois disto, restava apenas o lanche, que acabara por ser na residência Laranjeiro e que foi o ponto final nas actividades ao ar livre antes de ir 1 ano para os Açores. Obrigado a todos os leitores que, de uma forma ou de outra, partilharam estas vivências de geocaching e aracnologia ao ar livre. :)
Todas as fotos deste post são do David Martins ou da Sandra.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cobra50 Serra de São Mamede (II)

Estava na altura de ir recolher os pitfall que deixámos no campo há coisa de 15 dias. Saímos (eu e a Sandra) na quinta-feira dia 27 de manhãzinha para baixo, mas não sem antes fazer um pequeno desvio até à Baixa da Banheira na margem Sul para devolver a lupa do chefe, já que a partir de segunda-feira vou começar um ano fora de casa, nos Açores. A viagem correu bem, e depois de entregar a lupa lá seguimos para a Serra de São Mamede.
Chegados ao plot de montado, foi um instante para recolher os pitfall. Só 3 ou 4 vertebrados caíram nos ditos, pelo que correu tudo bem. Aviados que estávamos dali, foi sair ao final da tarde, fazer umas compras e procurar um local para passar a noite. Apesar do parque de campismo mais perto de Portalegre estar mais perto, julgávamos ter visto uma placa de campismo em Santo António das Areias e, sem ter certezas, lá fomos (also, o de Portalegre estava fechado). Quando lá chegámos, estava lá o campismo de facto e correu tudo bem, armámos a tenda e descansámos até ao dia seguinte. A proximidade do plot da estepe era grande, quase que dava para chegar lá indo a pé, mas além de recolhermos as armadilhas ainda queria apanhar uma nova espécie para Portugal, pelo que ainda assim, upa de manhã para o campo. (a noite não foi das mais descansadas, havia um pássaro idiota qualquer a fazer barulho a noite toda, só parou ao amanhecer)
Já na estepe, ainda vimos uns bichos porreiros, entre os quais Nemoptera bipennis (Neuroptera), Cosmobunus granarius (Opilione) Buthus ibericus (escorpião), Eusparassus dufouri, maternidades de Pisaura mirabilis e a tal nova espécie para Portugal, da qual apanhámos adultos pela primeira vez, Hersiliola macullulata. Com as armadilhas recolhidas (algumas tinham sido destruídas por grandes mamíferos), seguimos para cima, com o sentimento de missão cumprida.
Como saímos de lá ainda ao início da tarde, aproveitámos para ir conhecer o castelo de Castelo de Vide, fazendo uma cache que se encontrava por lá. Vistas aproveitadas, cache encontrada e gelado comido, seguimos para cima pelo IP2 em direcção à A23. Pelo caminho mais duas (earth)caches feitas, uma em Alpalhão e outra perto de Tolosa, ambas envolvendo maciços graníticos com formas curiosas. Caches aviadas, bora para casa.
Agora é esperar até tempo de identificar todas as aranhas dos pitfall.
Foi uma boa saída de campo, realizada com bom timing e excelentes condições meteorológicas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cobra50 Serra de São Mamede

Este ano, a nossa equipa aracnológica começou a efectuar protocolos Cobra50 (explicação do protocolo aqui) nos topos das montanhas de Portugal, de modo a que o chefe possa testar a variação da riqueza de espécies (entre outras coisas) segundo a altitude. Além disso, este objectivo permite-nos ir a locais que ainda não foram amostrados, pelo menos intensivamente, pelo que a nível de faunística também se esperam alguns resultados interessantes.

Como sou neste momento um dos membros da equipa mais a Sul, fiquei incumbido de tratar dos Cobra50 na Serra de São Mamede (e também de Monchique, embora isso mereça um post à parte). O resto da equipa era composto pela Ana Cristina Rufino, que já tinha participado no Cobra50 de Arzila, e pela Sandra, a nossa condutora. Saímos na sexta-feira dia 14 de minha casa, preparados para um fim-de-semana no campo. Viagem efectuada sem precalços através da A23 e IP2 até Portalegre, fomos directamente até ao ponto mais alto do Alentejo, na zona do Reguengo. Como teríamos de achar um plot de 1 hectare com estrato arbóreo e outro sem o dito estrato, a busca para encontrar locais interessantes foi deveras angustiante, já que no ponto mais alto da serra a paisagem é de certa forma desoladora, apesar das vistas de longo alcance. Isto porque naquela zona não há nenhuma floresta nativa, só plantações de Pinus pinaster (vulgo pinheiro-bravo) ou as sempre pestilentas acácias. Além disso, os locais que não tinham árvores eram também eles pouco aconselháveis para o nosso trabalho, já que eram espaços que tinham pinhal, mas que arderam faz algum tempo e estavam ainda em recuperação. Como procurávamos locais altos mas o mais nativos possível, não estavamos para ali virados e decidimos sair dali e começar a procurar locais mais baixos. Depois de dar umas voltas na zona do Reguengo, encontramos uma encosta de sobral mais ou menos abandonado, que escolhemos para o nosso plot arbóreo. O local tinha uma boa panóplia de arbustos nativos variados, uma boa manta morta, uns castanheiros, uns pinheiros, mas a árvore dominante era o sobreiro, e não nos pareceu que encontrássemos um local semelhante a uma altitude maior (estávamos nos 640m).
Depois disto, fomos procurar o nosso alojamento, para o Sul do parque natural, a apenas umas centenas de metros da fronteira com Espanha, na terra Hortas de Baixo, junto da aldeia de Esperança. Já tinha caído a noite entretanto, e foi uma aventura encontrar o local, já que nenhum de nós conhecia estas paragens e estávamos a progredir via estradinhas secundárias (em vez de termos ido para Arronches pela N246, que era mais directo). Depois de a Sandra manobrar o seu QB com mestria por estradinhas de terra batida com ervas altas até ao capô do carro, lá encontrámos a casa. Não houve tempo para muito mais além de descarregar o material e saudar as osgas que se alojavam nas paredes da casa.
No sábado, lá fomos de volta ao montado para efectuar o protocolo. A primeira tarefa foi delinear o hectare das recolhas directas com fita balizadora e de seguida cavar os 48 pitfall correspondentes às 12 amostras necessárias. O solo do montado era fofinho pelo que com 3 pessoas a cavar pitfall foi um instante. Pitfalls prontos e ainda havia uma hora para abobrar à sombra dos sobreiros enquanto se esperava pelo começo das recolhas directas. De notar para o encontro com a maior planta insectívora da Europa, Drosophyllum lusitanicum, que nenhum de nós conhecia até então senão através de fotos.

Chegadas as 16 da tarde, fomos efectuar as recolhas directas diurnas, que neste caso eram batimentos do estrato arbóreo e do estrato arbustivo. Não apareceu nada que fosse muito surpreendente nestas 4 amostras diurnas efectuadas.



Depois fomos procurar um tasco para jantar e recuperarmos alguma energia para as 4 horas de recolhas nocturnas que faltavam fazer. Achámos um na aldeia de Caia e regressámos ao plot para o ataque nocturno. Estas horas são sempre diferentes devido aos ruídos da noite que se ouvem aqui e acolá, e para além da ideia de encontrarmos algum javali furioso no plot e dos cães das aldeolas vizinhas que ladravam sem parar (seria por nossa causa, presumo...), tudo era paz. No final, o cansaço costuma ditar uma menor intensidade de movimentos, mas tudo correu bem. Pelas 2 da manhã estávamos prontos do plot e ainda tivemos que nos fazer à estrada para chegar ao tão merecido descanso nas Hortas de Baixo, pelo que só pelas 3 da manhã chegamos a casa.

Depois de nos levantarmos e recuperarmos energias com uma noite de sono e uma massa com atum caseira, lá nos dirigimos para a busca do nosso plot sem estrato arbóreo. Esta tarefa seria essencial para o desenrolar do resto do fim-de-semana já que teríamos que achar um local minimamente decente para as recolhas. Fomos em direcção a Marvão, outro ponto alto da Serra de São Mamede, mas também aí todos os montes estavam muito degradados por plantações de pinhal, campos agrícolas ou simplesmente estavam em recuperação depois de incêndio. À medida que o stress começava a acumular e nos dirigíamos para Marvão, decidimos ir ver as vistas da dita aldeia histórica.

A partir daqui, fomos na direcção da aldeia de Santo António das Areias, já que tinham-me sido fornecidas indicações pelo Parque Natural que apontavam para a existência de estepes relativamente nativas para esta área. Foi fácil dar com o local, mas não foi fácil decidir se seria ali que faríamos o protocolo, já que estávamos a uma altitude não muito elevada (545m). Depois de muito matutar, lá nos decidimos por aquele plot, já que o tempo começava a escassear e como já estavamos no final da tarde, passaríamos directamente às recolhas nocturnas, para que no dia seguinte pudéssemos regressar a casa ainda sob a luz do dia. A estepe tratava-se um terreno em solo granítico, repleto de arbustos variados, entre os quais uma Lavandula sp. que dava sempre um aroma agradável ao ar da estepe.As 4 horas de recolhas nocturnas passaram-se bem, e até se encontraram algumas coisas porreiras, não só dentro das aranhas como artrópodes em geral.
Mais uma vez, lá fomos pela última vez até Hortas de Baixo para passarmos a noite e rapidamente chegámos ao último dia de trabalho de campo. Só faltaria cavar os pitfall e efectuar as 2 horas de recolhas diurnas no mesmo local. Ao abandonar a casa onde estávamos uma foto nossa num camplo florido alentejano. A altura do ano indicada para se visitar o Alentejo é sem dúvida a Primavera, já que os campos estão floridos e coloridos com tons de roxo e amarelo e laranja. Passámos por muitos locais dignos de fotografia de postal. Os pitfall foram cavados com sucesso já que, apesar de a estepe ser bem rochosa, ainda se encontravam locais com a terra suficiente entre o granito. Findadas as recolhas, nota ainda para o Thomisus onustus mais cor-de-rosa que alguma vez vi! Fora das recolhas padronizadas, a Cristina encontrou também um dos Salticidae mais exuberantes de Portugal, um macho de Philaeus chrysops! E também para os sempre impressionantes Eusparassus dufouri, uma das maiores aranhas de Portugal. Depois de tudo feito, regressámos a casa, sendo que faltaria vir buscar os pitfall 15 dias depois. E lá fomos.








Todas as fotos neste post são ou da Ana Cristina Rufino ou da Sandra.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Póvoa Dão II

Depois de saber que a minha candidatura para continuar os estudos em Espanha não foi aceite, achei por bem ir desanuviar com a Sandra um fim-de-semana na Póvoa Dão, ajudando-a no trabalho que ela está lá a desenvolver envolvendo macrofungos (a.k.a. cogumelos). Acabou por não ser tão relaxante quanto isso, já que tive de perder 1 dia na estrada pela zona de Viseu à procura de um local com Internet, de modo a poder tratar de papeladas para um trabalho.
Porém, no sábado e na segunda-feira (24 e 26) deu para saborear o campo, em todo o seu esplendor primaveril, com os pássaros a cantar (cu-cu, cu-cu...), o sol a bater e as flores a enfeitar...
Em relação ao trabalho de campo da Sandra, ainda se encontraram algumas coisas interessantes como um Helvella solitaria (foto), Amanita ovoidea, Polyporus squamosus, Bovista sp., etc., muito provavelmente devido ás chuvas da semana passada.

Obviamente que eu cá também não deixaria de procurar umas aranhas com um tempo primaveril destes, ainda por cima num local onde não costumo andar. Não apanhei assim tantas aranhas quanto isso, mas devo salientar que uma das espécies que capturei trata-se de Philodromus pinetorum, uma espécie descrita de várias zonas da bacia mediterrânica (França, Grécia, etc.) no ano passado, pelo que o facto de ter encontrado o bicho já pode dar uma nota científica para publicar; um animal notável, pois pertence ao grupo de espécies dentro do género Philodromus que se encontram nas cascas de árvores, camuflando-se na sua superfície através da sua postura e cores miméticas. Além disto, encontrei um macho de Cheiracanthium muitíssimo parecido com striolatum mas com uns pormenores da sua genitália diferentes, curioso... Nota ainda para as várias Micaria brignolii que fugiam pelas mesmas cascas de pinheiros onde se podia encontrar os Philodromus pinetorum, por entre os carreiros de formigas Crematogaster scutellaris. Ainda consegui capturar 2 machos, mas estes foram apenas uma pequena porção dos espécimes avistados e que fugiram com sucesso.

No domingo, como disse lá atrás, fomos até Viseu, procurar um sítio com acesso à Internet. Como quando precisamos que as coisas funcionem como deve de ser não funcionam, ora, no Palácio do Gelo não conseguimos ligar à wireless e tivemos que procurar uma alternativa. Quem nos safou foi a nossa amiga Lara Teixeira, que nos ofereceu uma visita à sua casa (e quinta) repleta de animais. Eram cerca de 10 cães, 17 gatos, 1 coelho, porquinhos-da-Índia, 1 peixe, 6 tortugas, 3 gerbos e uns anfíbios, tanto Anuros como Urodelos, num tanque à saída de uma mina de água. Enquanto passeávamos pela quinta propriamente dita, ainda fomos brindados com o vôo de algumas Iphiclides pheisthamelii, sempre exuberantes. Foi uma tarde prazenteira a partir da hora de almoço... :)

Na Póvoa Dão ainda há muito terreno que precisa de ser tratado para estar pronto para os turistas da natureza e uma das coisas que me irrita são as zonas infestadas com acácias: odeio acácias! Sempre que o ritmo de caminhada não era demasiado rápido para tal, lá arrancava uma ou outra. Na foto, eu com um dos meus troféus, que nem pescador (de notar a raíz lateral)...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fim de ano @ Gerês

Este ano tive a oportunidade de passar o ano de um modo bastante aventureiro.
Fui convocado mais a Sandra pelo aracno-chefe Pedro Cardoso para ir com ele, a Clara e mais 2 amigos (Álvaro e Guida) até ao Gerês, caminhar pela montanha até cair para o lado. As previsões meteorológicas não eram as melhores mas foi com uma mentalidade persistente que nos aprontámos para esta aventura.
Saímos de Coimbra todos juntos no dia 30 pela tarde e ficámos instalados numa Pousada do lado espanhol em Lobios, já que estava tudo cheio do lado português quando tentámos efectuar a reserva.

Dia I (31 de Dezembro):
O plano de festividades inicial levar-nos-ía até à Serra da Peneda, começando a partir do Santuário de Nossa Senhora da Peneda.
Pelo caminho, ainda passámos pela localidade de Castro Laboreiro, berço da conhecida raça de cão com o mesmo nome e, pudemos encontrar alguns imponentes exemplares caninos pela borda da estrada.
Começámos aí pelas 10:30 da manhã (?) debaixo de chuva grossa e preparámo-nos o melhor possível. No meu caso, e apesar de ter umas sapatilhas/botas semi-impermeáveis, eram as extremidades as únicas que sofriam, mas assim que começámos a subir encosta acima o frio desaparece e a caminhada começa. Em muitos momentos o trilho mostra vontade de ser regato e os pés têm de ser colocados com cuidado para não escorregar (grande invenção essa dos batons de caminhada!). Depois de chegarmos a mais ou menos 1000 metros de altitude eis que a chuva se condensa e se transforma em neve. Nunca tinha visto nevar, apesar de já ter estado em locais nevados... Debaixo de um pequeno nevão loguei a cache Stairway to Heaven e prosseguimos em direcção a São Bento do Cando. Depois de muito calcorrearmos chegámos a um ribeiro que corria forte no vale que nos separava da povoação e como a travessia se afigurava demasiado perigosa e arriscada, decidimos voltar para trás. Grande seca, voltar para trás aqueles quilómetros todos... (?) Não, puro engano, ao subir a encosta do vale até uma razoável altitude, reparámos que a neve cobria agora quase todo o piso que anteriormente pisávamos, fosse ele castanho, verde ou cinzento. E durante a maior parte do regresso a grande altitude, o vento era pouco e a neve caía calma e vagarosamente pelo que a beleza da paisagem era indescrítivel e apreciada por todos como se tivéssemos sido presenteados pela mãe Natureza pela molha e esforço inicial. Regressámos aos carros no Santuário pelas 16 da tarde, ainda sem almoçar nada que fosse digno da designação de almoço, e apesar da fome existir em todos, não nos fazia percorrer os últimos metros em jeito de sacríficio, tal era a brutalidade dos cenários com que nos deparávamos.
Caminhada total: mais ou menos 12 km e subida até 1050 metros mais ou menos.
Dia II (1 de Janeiro):
Devido ao imperfeito estado de saúde do Pedro (o jantar caiu-lhe mal, a carne não devia estar fresca), no 1º dia do ano fizemos o percurso mais leve de todos os que tínhamos na mira. Fomos até Vilar da Veiga e fizemos o trilho das Silhas dos Ursos que ainda assim nos levaria até aos 1000 metros de altitude sensivelmente. Ora, antes de mais o que é uma silha? Era basicamente um grande calhau de granito com um topo liso onde eram colocadas as colmeias para que os ursos não lhes pudessem chegar. É claro que agora não existem ursos no Gerês, mas as silhas lá permanecem, mesmo sem as colmeias... Este percurso continha uma cache múltipla escondida na montanha, e a busca da mesma foi o que liderou a caminhada até ao seu destino.
O declive a vencer não foi tão acentuado como no dia anterior e o São Pedro esteve mais porreiraço com a malta pelo que só apanhámos uns chuviscos já na parte final da caminhada. Parámos para almoçar no ponto mais alto do percurso com uma bela vista sobre os vales. Como disse o Álvaro: "Nós somos uns privilegiados por almoçar num sítio destes." Findada a refeição, altura para prosseguir, encontrar e logar a cache, para depois decidirmos se continuávamos em frente até ao Campo do Gerês ou se voltávamos para trás até aos carros. Um pequeno calhau de granito decidiu por nós e lá fomos a descer os vales até ao Campo do Gerês. Ainda tivemos que atravessar alguns ribeiros de pedra em pedra, com todo o cuidado para ninguém cair à água, mas tinha mesmo que ser já que não havia outro caminho; num caso em que a água corria com alguma força esta travessia fez subir os níveis de adrenalina no sangue de todos, mas correu tudo bem, e no final da caminhada os meus pés estavam secos. Chegados ao Campo do Gerês, altura para recuperar forças com um cházinho de menta e uns Goodies num café local, antes de ir buscar os carros para irmos jantar num restaurante localizado na mesma povoação.Já depois do jantar, e quando já todos pensávamos no banho quente enquanto regressávamos de carro para Lobios através da Mata de Albergaria, fomos presenteados com um bónus da Mãe Natureza já que um rabo felpudo se atravessa à frente dos nossos carros. E quando todos julgávamos que já não voltaríamos a ver o dono do rabo felpudo eis que, curiosamente, uma pequena raposinha vem ao encontro do nosso carro, e depois de nos fitar durante uns segundos, se volta a dirigir para o mato. Foi um encontro que deliciou os presentes, que estavam todos a lidar com os incontáveis buracões presentes na estrada de terra batida que passa pela Mata de Albergaria. Chegados à pousada, xixi - cama.
Caminhada total: talvez mais uns 12 km

Dia III (2 de Janeiro):
Para o último dia estava guardada a caminhada mais extensa, mas nem por isso a que tinha declives mais acentuados. Do lado espanhol, fomos fazer o trilho da Mina das Sombras, que nos levaria até às r
uínas da Mina que fora usada para extrair volfrâmio para as blindagens dos variados objectos bélicos usados na 2ª Guerra Mundial. Ainda andámos às voltas até encontrarmos o estacionamento numa igreja de pedra, mas acabámos por passar por um pequeno grupo de cavalos que estavam aparentemente a vaguear pelos campos, sem dono, e comunicámos com um nativo que andava numa caçada e nos indicou o caminho certo. Depois de chegar à igreja, lá começámos a calcorrear montes em direcção à Mina das Sombras. O caminho ficava num vale que serpenteava pela montanha e que nos oferecia constantes cascatas e regatos para observar e saltitar, respectivamente. À medida que subíamos em altitude, o cansaço acumulado começava a fazer-se notar e eu e a Sandra fomos a um ritmo mais lento que os trekkers mais experientes que nos acompanhavam. Foi de facto, uma bela caminhada. No Gerês, no Inverno, tudo é água. O chão que noutras alturas está seco transforma-se em água, as cascatas cospem com raiva e a força dos rios impõe respeito. Já bastante perto da mina, voltamos à neve. A chegada à mina, porém, não foi lá muito do meu agrado, porque depois de saltar tanto regato e poças para manter os pés secos tinha que passar por um chão em forma de charco, já que não havia local onde meter os pés sem os levar à água, e pronto, tanto esforço e lá estou eu de pés molhados, novamente. Isto porque a quantidade de água que saía da mina era tanta que todo o local estava encharcado. Parámos nas ruínas para almoçar qualquer coisa e entreguei o GPS à Sandra para ela ir procurar a cache que estaria à entrada da mina, juntamente com o Pedro, já que o grau de impermeabilização deles era maior que o meu. Ainda assim, não dava para entrar na mina e a cache lá ficará, para uma outra oportunidade. Depois de ingerir alguma power-food lá começámos a rota de descida, e como parar é morrer, especialmente com patas molhadas, senti-me com energia novamente, e tal também se terá devido aos 2 triângulos de Toblerone gigantes que me foram oferecidos pelo Álvaro e pela Guida. Ainda passámos por 2 espanhóis e alguns tugas (eu não vi os tugas, estavam dentro de um edifício que estava a meio caminho e como ía à frente nem reparei que estava lá gente), mas deviam ser "meninas", já que encontrámos um jeep estacionado uns metros mais à frente. No final, chegados aos últimos metros destes 18 km, já pensávamos no que se seguiria: uns banhos no spa natural que existe na povoação de Bubaces. Então lá fomos de volta à pousada, buscar a roupa adequada, e já em Bubaces, aí nos pusemos de molho durante cerca de duas horas, para curar o desgaste físico efectuado nestes últimos 3 dias. Chegou a chover enquanto lá estivemos mas era como nada se passasse no resto do mundo...
No dia seguinte era altura de ir embora e voltar a casa. Nos últimos relances que tivemos do Gerês, as nuvens baixas que se deslocam por entre os vales e as quedas de água que se vêm regularmente foram a despedida da Natureza invernal desta montanha, que nos proporcionou 3 dias de exercício físico intenso e que, juntamente com a boa companhia fez com que esta passagem de fim de ano se tornasse um dos pontos altos de 2009 e de 2010.

Reminder: comprar luvas e calçado 100% impermeável para a próxima aventura do tipo.
Nota: batons de caminhada dão, de facto, um certo jeito... :)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Geocaching @ Condeixa

Já tínhamos apalavrado há alguns tempos tirar um dia para andar pelos arredores de Coimbra e fazer geocaching juntamente com o Ludgero, a Inês e a Joana. Neste fim-de-semana prolongado ou feriado, se preferirem, surgiu a oportunidade de o fazer e, apesar de a Sandra estar um bocado indisposta, não era nada que impedisse a aventura e lá metemos provisões na mochila e seguimos em frente. Por sorte as previsões meteorológicas não eram muito más e o tempo não nos pregou partidas. Decidimos ir para a zona de Condeixa, pois ainda havia aí algumas caches no meio do campo por fazer, entre as quais estava uma que descansa escondida nas Buracas de Casmilo, e que já tínhamos debaixo de olho há algum tempo, e da qual faríamos o ponto alto do dia (mais tarde verificámos que foi de facto o ponto alto, mas não apenas por ser uma paisagem fantástica...).

Para aproveitar o dia, decidimos partir de manhã da Praça da República pelas 9:30. Toda a gente pontual, e lá fomos nós a caminho, pelo IC2.

A primeira paragem foi num simpático monte onde está a igreja da Senhora do Círculo, que, na verdade em si não é nada de mais como monumento, já que foi restaurada e modernizada de uma forma bastante típica. O monte em si, por outro lado, é um local bonito para se estar apreciando as belas vistas da Serra do Sicó de um lado e do Baixo Mondego do outro.
Bem, quanto à cache em si devo dizer que não foi tão fácil dar com ela quanto deveria ter sido já que fomos todos procurar para locais indevidos, induzidos em erro pelo GPS. Depois de nos introduzirmos aos Quercus coccifera (vulgo, carrascos) presentes na zona (com os quais viríamos a ter novas aventuras mais tarde) durante um bom bocado, lá voltámos ao ponto de partida e - voilá! - eis que a Inês dá com a cache! Afinal, estava logo ali, no último sítio onde procurámos...

De regresso ao bólide, a próxima paragem eram as Buracas de Casmilo. Ora, para lá chegar já foi uma aventura em si, já que sempre que nos deparávamos com uma bifurcação, invariavelmente tomávamos a opção errada... Depois de várias ajudas de nativos, e até problemas de engarrafamento no meio de caminhos de pedra devido a uma miscelânea de gado caprino e ovino, lá encontrámos o Vale das Buracas! Estas cavidades na rocha esculpidas pelos agentes erosivos ao longo de muitos e muitos anos originou locais que desafiam a imaginação. Como por exemplo a Joana disse: "agora entrava para ali um tipo de espada para combater um dragão" (ou qualquer coisa do género). Depois de nos maravilharmos com a grandiosidade do local e já termos experimentado o excelente eco que havia no local com vários comentários idiotas gritados em voz alta, decidimos ir à nossa busca. Como o GPS apontava para cima de uma das buracas, e porque não encontrámos à primeira vista local para escalar, decidimos ir à volta já que havia um trilho que subia o flanco da buraca. Bem, lá subir subia, mas a verdade é que não subia para onde precisávamos... Continuámos e continuámos, até não dar mais, altura em que começamos a escalar um pouco. Em cima do lapiás, coberto de mato denso e alto depressa nos apercebemos que não era este a rota de aproximação à cache, certamente. A progressão era lenta, já que tínhamos que abrir mato com os braços e pernas, e ter cuidado onde meter os pés pois fendas é o que não falta em formações de lapiás, e depois de continuarmos um bom bocado (de tempo, não de espaço) naquele matagal e de nos "regozijarmos" de ter aumentado a dificuldade de uma cache 3,5 para 4,5 ou mesmo 5 (numa escala de 1 a 5), decidimos voltar para trás, já que a progressão tornava-se impossível a certo ponto. Para agravar a experiência, o Ludgero bateu com o joelho numa pedra, quando já estávamos no regresso, pelo que tivemos que redobrar a calma e cuidado com que progredíamos no mato e no lapiás. De volta à entrada da buraca, a Sandra imediatamente achou umas escadinhas por onde deveríamos ter trepado inicialmente... Isto de nos metermos pelo caminho errado já aconteceu tanta vez que já começo a deixar de ficar supreendido... Arranhões, espinhos e estafa para nada, quer dizer, para mais tarde recordar, em amena cavaqueira com terceiros, porventura. Ainda antes de subir toda a gente, facilmente a Sandra encontrou a cache, logámos e descemos para almoçar, para repôr as forças, já que depois desta, havia mazelas a debelar por entre as hostes.
Almoço concluído e estávamos prontos para continuar. O próximo passo seria a cache do Moínho do Outeiro, que estava muito perto das Buracas de Casmilo. Depois de passarmos pela povoação de Serra de Janeanes e de, pela 1ª vez, não nos termos enganado no caminho, lá encontrámos o moínho. Já conhecíamos este moínho da cache Cabeça de Vento em Penacova, (que nos leva ao Museu do Moínho) o qual tem rodinhas. Infelizmente, o seu estado de conservação não aparentava ser o melhor. Quanto à cache, foi fácil dar com ela, praticamente todos ao mesmo tempo. Neste monte também pudemos disfrutar de boas vistas, dada a localização relativamente elevada. Findada a última cache em ambiente mais silvestre e rural que tínhamos planeada para hoje, começámos a pensar em dirigirmo-nos à civilização, pois as outras duas caches que faltavam levavam-nos para mais perto de Condeixa, nomeadamente às Ruínas de Conímbriga e aos restos do castelo de Alcabideque. E, para dizer a verdade, depois da sova que levámos nas Buracas com o nosso corta-mato, não havia tempo para muito mais que estas duas caches de dificuldade baixa. Chegados a Conímbriga, não foi difícil até dar com a cache embora tivéssemos que recorrer à nossa helpdesk habitual (a Diana) para retirarmos um dado necessário para fazer no futuro uma cache mistério. Ainda ponderámos visitar as ruínas, mas tal não se proporcionou já que o tempo com luz disponível já não era muito e estar a visitar um local destes com pressa não é o ideal. Só haveria luminosidade para irmos até Alcabideque tratar da cache de lá. Não foi nada difícil dar com ela, a dificuldade foi deitar-lhe a mão sem que fôssemos notados pelos nativos, dado o local bastante amplo e central da pacata aldeia/vila(?). Felizmente, tínhamos patos e gansos para alimentar, facto que nos tornava bastante inconspícuos. Depois desta, o cansaço acumulado já se fazia notar e como não tínhamos mais tempo nem trabalho-de-casa preparado para mais, rumámos até Coimbra, onde chegámos já ao escurecer. Lanchámos na gelataria (chocolate quente e torrada, que mimo) com roupas sujas com terra e detritos silvestres variados, mas ninguém deve ter ficado muito chocado já que não nos atiraram com coisas. No final, passámos uma tarde bem recheada de aventura e episódios, desde a busca sem norte na Senhora do Círculo, passando pelas voltas nos caminhos de Casmilo e, claro, acabando na nossa incursão radical nas Buracas...

As fotos aqui postadas são versões redimensionadas dos originais, tirados pelo Ludgero ou pela Joana.

sábado, 31 de outubro de 2009

Cachada pelo PNSAC

Juntamente com a Joana Vindeirinho (a.k.a Selénia), decidimos ir fazer mais umas caches pela zona serrana aqui do PNSAC. Para aproveitar o dia, fomos logo bem cedo, renegando a preguicite aguda normalmente presente ao sábado de manhã. Começámos pela zona das Pedreiras, onde haviam duas caches, uma até já tinha feito mas aproveitei para levar lá a Sandra e a Joana, já que ficava no caminho de uma outra que ainda não tinha feito. Foi um belo passeio matinal até à Gruta dos Caçadores, por caminhos ancestrais rodeados de medronheiros carregadinhos com o seu pitoresco e saboroso fruto, e também avistámos cogumelos variados, como Suillus (bellini?), Macrolepiota procera (a.k.a. tortulho), Agaricus sp. e Scleroderma sp.Depois de achadas com sucesso os ditos "tesouros", e como ainda havia tempo antes de almoçar para mais qualquer coisa, demos um saltinho à Batalha e aviámos a cache do Campo Militar da Batalha de Aljubarrota (que é em São Jorge, para quem não sabe) e ainda levámos a Joana a fazer uma cache junto do Mosteiro da Batalha, sempre uma paragem obrigatória nesta zona. Chegados à hora do almoço, e porque a caminhada matinal já despertava os nossos estômagos, fomos comer uma bela pizza na L'italliana e, talvez devido à tal caminhada, foi das que até agora melhor me souberam lá até agora. Depois de almoço decidimos ir ou para a zona do Alqueidão da Serra ou para a zona de Alvados, mas como ficámos a saber que a Rita não se poderia juntar a nós devido à apanha da azeitona fomos para Alvados. Como a maior parte das caches que tínhamos planeado fazer era fácil ainda fomos à Bezerra para fazer a cache mais difícil do dia, subindo um monte com um declive já interessante. Foi mais um passeio com pontos de interesse biológicos, como cogumelos (afinal estamos na altura deles), escaravelhos a fazer amor, lagartas de borboletas grandes, peludas e coloridas, e - claro! - aranhas! Avistei já a meio da subida do monte as esperadas tocas das tarântulas e comecei a tentar pescar algumas para mostrar à Joana, mas estava complicado, ninguém se queria mostrar, apesar de sentir as picadas na palha que enfiava toca abaixo. Depois de muito insistir, e quando já nos preparávamos para ir embora, lá consegui provar que não estava a imaginar coisas, trazendo uma Allocosa à entrada do seu buraco. Esta tinha filhotes às suas costas e talvez tenha sido essa a razão de tanta timidez. Depois de findada esta cache mais demorada, fomos aproveitar o tempo restante até ao final do dia com algumas caches mais fáceis na zona de Alvados.

Findadas as caches por hoje, voltámos a casa e a Joana foi até Leiria. O cansaço já não dava grande vontade de ir passear à noite mas como havia jogo de bola importante lá fomos ao Alqueidão da Serra até à Residência Laranjeiro jantar com o Abel e a Rita e ver o Benfas (a perder com o Braga, snif...).

domingo, 11 de outubro de 2009

Cabo Espichel

Eu e a Sandra fomos até ao Cabo Espichel., na zona de Sesimbra. O objectivo era ir ter com o aracno-chefe Cardoso, pois ele tinha mais material (sim, aranhas) para mim de Porto Santo. Apesar de ele já conhecer a zona bastante bem e a Sandra também já lá ter andado devido às suas saídas micológicas, aproveitámos fazer um reconhecimento mais intensivo, dada a existência de algumas caches na zona, algumas de dificuldade aceitável.
Lá andamos, primeiro pela zona do farol, e depois pela zona de um forte (ou vestígios daquilo que outrora foi um forte), onde abancámos para a bucha. Foi um passeio de curtos quilómetros até ao forte, mas a partir da hora de almoço o sol começava a puxar pelo físico e a fazer trabalhar as glândulas sudoríferas e ainda havia mais objectivos a alcançar.
O último troço levar-nos-ía à praia da Baleeira, uma recôndita reentrância nas arribas daquela zona, que só é acessível depois de efectuada uma razoável descida. Chegados lá abaixo (havia lá uma cache), a minúscula praia estava toda ao nosso dispôr e, mesmo sem estarmos equipados com fato de banho, como não havia ali transeuntes que porventura se preocupariam com a falta de vestuário adequado para um comportamento como o banho, lá fomos ao banho. O mar estava uma delícia e a banhoca foi revigorante...
Depois de aviada a cache começámos a pensar em voltar para os carros, e isso implicaria um esforço daqueles "interessantes", já que para além do cansaço muscular, desidratámos bastante e não estávamos convenientemente abastecidos de recursos hídricos. A subida foi bastante penosa, mas lá chegámos aos carros depois de muito pensar em garrafas de água fresca. Antes de nos separarmos, nada como parar num tasco para buer e conversar mais um bocado!
Mais um dia bem passado, a conhecer uma zona nova e a fazer caches. E ainda está para vir o dia em que se combina qualquer coisa com o Pedro e não levamos uma esfrega. :)

domingo, 4 de outubro de 2009

Viagem à Madeira

No passado dia 24 de Setembro eu e a Sandra deslocámo-nos à ilha da Madeira para uma semana de caminhadas pela ilha. Ficámos em casa da Celina Pereira, uma amiga que conheci por intermédio do Dr. Jorge Paiva. Junto segue-se um diário de viagem, para quem estiver curioso:

Dia 0 (24 Set.): como o nosso vôo era à tarde, chegámos a casa da Celina já ao final da tarde, o único registo digno de se fazer é que ao jantar fomos provar a típica espetada em pau de loureiro a um restaurante. Estava do melhor!

Dia 1 (25 Set., sexta): como eu queria ir ao Museu Municipal do Funchal (MMF) para pedir acesso a material biológico que está depositado lá, e como ainda não tínhamos delineado muito bem a coisa, decidimos ficar pela civilização neste dia. Aproveitámos para começar a fazer geocaching pelas urbanas que haviam pelo Funchal e tivémos um péssimo aproveitamento, 0 em 3, que horror... Aproveitámos para comprar uns maracujás no Mercado dos Lavradores: ficámos um bocado abananados com os 15 euros que gastamos mas pelos vistos é um preço normal para o que trouxemos. Almoçamos na fast-food para despachar pois além de termos caches para fazer queríamos ir ao turismo arranjar uns mapas e ainda ao MMF, pois além de querer ir lá pelo motivo que já referi fiquei a saber que têm lá uma exposição de aranhas, e pronto, não podiamos mesmo deixar de lá ir. Para os curiosos, a exposição contém espécimes vivos de algumas das aranhas madeirenses mais exuberantes, a nível de tamanho, com especial destaque para as do género Hogna, pois este género é bastante diverso no arquipélago madeirense, com a Hogna ingens como sendo o membro mais imponente, esta aranha endémica só se encontra na Deserta Grande e é - segundo consta - o maior Lycosidae do planeta. Também de realçar a Hogna schmitzi, espécie endémica de Porto Santo, e altamente vistosa, com as patas de um cor-de-laranja vivo (devido a pêlos existentes nestas secções). Infelizmente, a pessoa que precisava de contactar para aceder ao material deles não estava e tive de voltar a combinar passar no MMF na segunda-feira. Depois disto, começamos a dirigirmo-nos para casa pois ainda havia uns km a percorrer até lá. Pelo caminho de volta encontramos a Rua dos Aranhas! :)
Durante o tempo que passamos nas estradas principais do Funchal, tivemos a oportunidade de nos rir com a campanha do PND para as legislativas. Um carro fúnebre passava volta e meia com a mensagem de "vamos sepultar a corrupção" e com altifalantes a passarem músicas minimamente estranhas para este tipo de coisas. Isso, e os coelhinhos de cartão que foram colocados por toda a cidade (já não me lembro o que diziam os coelhinhos).
Regressados a casa da Celina, depois de uma bela caminhada até São Martinho, decidimos que a primeira caminhada no campo seria à Ponta de São Lourenço.
Caminhada: 14,7 km (aprox.)
Cachada: 0/3


Dia 2 (26 Set., sábado): Então lá fomos nós para a Ponta de São Lourenço de manhãzinha, uma vez que a Celina foi espectacular connosco e entre muitas outras coisas que nos facilitou, emprestou-nos o jeep dela para o fim-de-semana. Como nós temos o péssimo hábito de dificultar a nossa própria tarefa enganámo-nos no estacionamento. Em vez de deixarmos o carro em N32º44.556' W16º42.088' parámos em N32º44.932' W16º42.399', se tivéssemos feito certinho é que seria de estranhar... Anyway, lá fomos calmamente, virando uns calhaus para ver o que aparecia com 8 patas. A caminhada iria começar a tornar-se mais agreste pois o sol estava a ficar bem alto e na Ponta não há sombra nenhuma mas lá chegámos ao destino, e fizemos a nossa primeira cache bem sucedida na Madeira (yey), Oasis. O problema era agora voltar para trás... Doeu bastante, mas fomos recompensados depois de chegarmos ao carro, pois assim que voltamos para trás encontrámos a placa da praia natural "Praínha", pelo que decidimos revigorar as nossas forças aí, nunca tinha experimentado praia de areia escura, muito porreirinha, a temperatura da água estava do melhor e bebi a Brisa Maracujá mais saborosa destas férias tal era o cansaço e a necessidade de refrescar. Findado este momento de lazer voltamos para trás e uma vez que ainda era cedo lá fomos fazer mais uma cache na zona de Machico que tava no caminho e como o jantar ainda não era para já ainda fomos dar um salto ao Cabo Girão para logar a earthcache de lá. Depois de muitas voltas por lá meio perdidos nas Fajãs do Cabo Girão lá encontramos o Cabo propriamente dito (optámos pela saída errada da via rápida). Já estava a cair o nevoeiro da noite nessa altura mas ainda deu para aproveitarmos o local um bocadito antes de voltarmos para casa. O jantar desse dia foi um belo bife de atum no forno com miscelânea de vegetais, do melhor, e mais uma vez, só temos de agradecer à Celina por nos ter confeccionado tal refeição. Depois do jantar, a Celina levou-nos a Câmara de Lobos para provarmos a poncha e a nikita, duas bebidas alcoólicas made in Madeira, eu como não sou apologista de coisas com muito álcool, achava a poncha um bocado dura mas a nikita bebe-se bem.
Caminhada: 8,3 km (aprox.), mas durinhos...
Cachada: 3/6

Dia 3 (27 Set., domingo): Para aproveitar o facto de termos o jeep da Celina à nossa disposição decidimos ir desta vez para a zona do Paúl da Serra e visitar o Rabaçal com a Levada das 25 Fontes como alvo principal. Partimos de manhã e fizemos a primeira paragem na Encumeada, onde procuramos a cache do mesmo nome que fica na Levada das Rabaças (que pensávamos que era a L. do Folhadal). Depois de encontrada a cache e findada a respectiva caminhada de aquecimento, lá fomos em direcção ao Paúl da Serra, um verdadeiro planalto no meio das montanhas e arribas da Madeira. Caminhámos até ao Rabaçal (é a descer para lá) e almoçámos por lá. De seguida achámos a cache da Rocha dos Louros que fica ali perto e fomos fazer a Levada das 25 Fontes. Neste primeiro dia de laurissilva o cenário era novo para nós e foi com muito prazer que fizemos esta Levada. O início da Levada é bastante curioso pois parece que são mesmo 25 fontes que pingam para a piscina.
Depois de feita esta Levada era hora de voltar para trás, pois o cansaço já se começava a acumular. E, pela milionésima vez, fomos os piores do mundo, pois quando já estávamos a chegar ao Rabaçal, olhámos para o GPS "olha, temos cache a 500 metros"... E pronto, la fomos descer a ribanceira num trilho aos S que nunca mais acabavam, para chegar ao sopé do monte, atravessar uma ponte e andar uns metros na Levada da Rocha Vermelha até à Casa dos Levadeiros. O caminho para o Rabaçal foi dos bocados de caminhada mais agrestes que já alguma vez fizemos, apesar de toda a paisagem envolvente ser brutal. Quando finalmente lá chegámos, achamos por bem ir para cima de carrinha, mesmo pagando 3 euros cada um (fecharam o trânsito para o Rabaçal há uns anos devido à estrada ser estreita, para evitar problemas com os turistas). A caminho de casa ainda achamos umas últimas forças para parar em vários locais do Paúl da Serra para virar uns calhaus à procurar de umas aranhas interessantes mas não tivemos sorte nenhuma.
Caminhada: devido aos demasiados S e ao facto de não se ver o trilho da Levada do Google Earth é impossível estimar o quanto andámos, mas foi uma brutal estafa...
Cachada: 6/9

Dia 4 (28 Set., segunda): Como já tinha combinado com a Dra. Ysabel Gonçalves lá no MMF e acordei com uma constipação considerável, hoje não estava para caminhadas de muitos km. Fomos de bus até ao Funchal e passamos a manhã no MMF a tratar dos assuntos que tinha para tratar. Almoçámos no Funchal e fomos visitar o Jardim Botânico, a convite da Celina. Foi interessante, especialmente a zona dos cactos e das suculentas.

















Depois do Jardim estava na hora de ir para casa, pois o tempo parecia que estava para piorar, haviam nuvens no céu e até caíram uns pingos. De qualquer forma, lá fomos andando, com calma. No caminho parámos no complexo balnear do Lido e decidimos experimentar a piscina natural que existia além das piscinas tradicionais, o mar talvez fizesse bem a minha constipação. Foi um momento agradável e acabamos por tratar da earthcache que tínhamos falhado na sexta-feira. Fomos para casa e começámos a pensar se iríamos para o campo no dia seguinte, dependendo do agravar ou melhorar da minha constipação.

Caminhada: levezinha mas ainda assim uns km do Funchal a São Martinho.
Cachada: 7/9

Dia 5 (29 de Set., terça): E levantar as 7 da matina de férias? Isso é que é. Como hoje estávamos dependentes da boleia da Celina até ao Funchal, acordámos por essa hora, e como me sentia melhorzito (mas ainda bem constipado) decidimos ir fazer uma das Levadas mais populares da Madeira, o Caldeirão Verde. Então lá fomos apanhar o bus que nos levaria até Santana pelo meio dos montes. Uma vez chegados a Santana saberíamos que o melhor que tínhamos a fazer era apanhar um táxi para a Casa das Queimadas pois caso contrário eu chegava lá acima e já não tinha forças para fazer a levada. Chegados às Queimadas iniciámos a levada e esta tornou-se o mais rico roteiro micológico que tanto eu como a Sandra alguma vez vimos! Fungos para todos os gostos, desde os típicos cogumelos de chapéu e pé, passando por fungos bola, fungos taça, Lycoperdon (os ingleses chamam-lhes puffballs), fungos corais, fungos prateleira, fungos "nhanha" e fungos em ninho de ovos (Cyathus striatus), aqui estão alguns:


















Depois de passarmos por vários túneis lá chegámos ao Caldeirão Verde, sempre acompanhados pelo forte verde da laurissilva, intercalado somente or esses bocados de escuridão cerrada descritos. No Caldeirão, tiramos as medidas a um calhau que lá estava para logarmos uma earthcache e almoçámos por lá, de modo a disfrutar do local.
Como eu cá não tinha muitas condições para continuarmos a levada na direcção do Caldeirão do Inferno e precisávamos de voltar a tempo de apanhar boleia da Celina que nos viria buscar, decidimos voltar para trás. No caminho de volta, a Sandra conseguiu meter a pata na levada depois de escorregar mas felizmente não se aleijou nem se molhou muito pois a levada era baixa naquele ponto, isto já foi o segundo azar pois no caminho para o Caldeirão ela já tinha conseguido dar uma bela cabeçada numa árvore tombada no caminho. O caminho de volta foi sem grandes paragens, até porque ainda teríamos de descer até Santana. Já nas Queimadas, enquanto recuperávamos algumas forças para enfrentar uma aborrecida caminhada no asfalto até Santana, um simpático casal francês que nos tinha visto a chegar de táxi de manhã ofereceu-nos boleia até Santana. Weee! Tivemos a oportunidade de praticar o nosso francês, que é muito pobre, diga-se... E pronto, em Santana, fizemos pouco mais que esperar que chegasse a Celina e regressámos a casa.
Caminhada: se não estou em erro o percurso das Queimadas ao Caldeirão são 6 km, por isso, uns 12 km mais umas centenas de metros em Santana.
Cachada: 8/10

Dia 6 (30 de Set., quarta): Para a nossa última caminhada planeámos fazer o trilho de montanha que vai do Pico do Areeiro até ao Pico Ruivo. Infelizmente, quando acordámos estava a chover no Funchal mas lá fomos, à boleia da Celina que como só tinha de estar no Funchal às 10 e tal, pôde levar-nos lá acima. Ainda pensámos que pudesses estar melhor na montanha mas quando estávamos aí aos 1000 metros apercebemo-nos que era geral e ficámos pelo café do Pico do Areeiro à espera que o tempo melhorasse. Era chuva, nevoeiro, vento e frio, pelo que caminhar era impossível, só para malucos mesmo. Parece que a montanha terá de ficar para uma próxima vez... Ainda por cima, tinha grande esperança em encontrar aranhas interessantes nesta caminhada... :((
Aí pelas 11 e tal decidimos voltar para baixo e tivemos a grande sorte de apanhar boleia de um simpático casal inglês a quem pedimos o jeitinho, que eles íam de táxi para baixo. Pelo caminho tivemos a oportunidade de ter uma conversa interessante com eles e o motorista. Ficaram um bocado espantados por sermos biólogos, e foi uma conversa pitoresca. De volta ao Funchal, lembramo-nos de ir tentar novamente uma das caches falhadas no dia 1, desta vez conseguimos. Demos 1 ou 2 giros e começamos a voltar para casa pois o tempo estava chuvoso e ainda tínhamos de ir arrumar mochilas para ir embora na quinta. Ao jantar, um último mimo da Celina aos hóspedes, peixe-espada-preto no forno!

E pronto, foi isto, foram férias mais saudáveis que já tive uma vez que não me recordo de andar tanto em tanto dia seguido. Acordar cedo (nunca depois das 9) e deitar cedo todos os dias (nunca depois da meia-noite), para ir conhecer um pouco da Madeira. Ainda deixámos muito para fazer, pelo que voltaremos, certamente.